Espelho e Fluxo de cristal
Minha alma é esse lago... (Charles Augustin De Sainte-Beuve)
Minha alma é esse lago em que o sol, que declina
Numa tarde outoniça e linda, arde, expirando:
a onda pouco freme, e nem a asa argentina,
Nem o longínquo remo o agita, resvalando.
Tudo descansa em paz, e o cristal transparente,
À noite, ao esfriar no vento enregelado,
Sem rugas, eco, sem lamentações plangentes,
Parece espelho feito aos pálidos enfados.
Mas não sentis, Senhora, em tal tranqüilidade,
No fluxo de cristal pelo próprio esquecido,
Nessa calma extensão de plena fixidade,
Seu gozo em vos ficar aos pés emudecido,
Em refletir em paz a bem-amada margem,
Em pintá-la mais pura, e sem se entremeter,
em nada em si perder da divinal imagem
Daquela cujo rastro está sempre a colher?
Minha alma é esse lago em que o sol, que declina
Numa tarde outoniça e linda, arde, expirando:
a onda pouco freme, e nem a asa argentina,
Nem o longínquo remo o agita, resvalando.
Tudo descansa em paz, e o cristal transparente,
À noite, ao esfriar no vento enregelado,
Sem rugas, eco, sem lamentações plangentes,
Parece espelho feito aos pálidos enfados.
Mas não sentis, Senhora, em tal tranqüilidade,
No fluxo de cristal pelo próprio esquecido,
Nessa calma extensão de plena fixidade,
Seu gozo em vos ficar aos pés emudecido,
Em refletir em paz a bem-amada margem,
Em pintá-la mais pura, e sem se entremeter,
em nada em si perder da divinal imagem
Daquela cujo rastro está sempre a colher?


0 Comments:
Post a Comment
<< Home