Saturday, June 18, 2005

A Poesia perdida

Quantas vezes, alta noite,
a alma rota de insônias,
me fustigavas, poesia.

Eu, olho cerrado,
noturno feto, fingindo
não ser comigo que falavas.

Falavas, e eu disfarçava
(amanhã te beijo, escrevo, acaricio).
Exausta, te afastavas.
Exausto, adormecia.

No meio da noite
algo se perdia
Não era muito
- só poesia

(Affonso Romano de Sant'Anna)

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