Friday, July 22, 2005

Montanha

Como se moço e não bem velho eu fosse,
Uma nova ilusão veio animar-me,
Na minh'alma floriu um novo carme,
O meu ser para o céu alcandorou-se.

Ouvi gritos em mim como um alarme.
E o meu olhar, outrora suave e doce,
Nas ânsias de escalar o azul tornou-se
Todo em raios, que viam desolar-me.

Vi-me no cimo eterno da montanha
Tentando unir ao peito a luz dos círios
Que brilhavam na paz da noite estranha.

Acordei do áureo sonho em sobressalto;
Do céu tombei ao caos dos meus martírios,
Sem saber para que subi tão alto...

Alphonsus de Guimarães

2 Comments:

Anonymous Anonymous said...

Não sei, não sei por que voar tão alto às vezes... a queda é uma droga, céus... uma droga...

7:57 AM  
Blogger Vander said...

Nossa, eu concordo com você! Acho que a caixa de Pandora tem uma mola na sua dobradiça: ela fica abrindo de vez em quando... às vezes tenho que fazer o Dark Side correr nas veias... às vezes tenho que respirá-lo...

1:51 PM  

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