Tuesday, September 06, 2005

Entangled dreams

Conquanto fora a tarde ainda infinda
e nem vestira a noite a roupa sombria
um anjo da treva em silêncio se via
e suas plumas eram trapos. Ainda

que a tarde fluísse erma e vadia
e comigo apenas o tempo caminhasse
gotejando em cada passo que eu andasse
dissolvendo cada coisa que eu vivia

aquele anjo impedia que eu parasse.
Repentino, e sua voz me dava medo,
era eu, falou o anjo, um mero enredo:
me sonhava e eu morreria se o acordasse.

O que eu via era um sonho atado ao seu,
a mulher que me amava, e era amada,
era coisa em sua mente inventada,
tudo sonho, que ademais nem era meu.

Encarei solenemente aquela face
que eu sonhava e que afirmava me sonhar;
pra vencê-la me bastava despertar
demonstrando cabalmente quem sonhasse.

Acordei e foi-se o anjo andrajado
que dizia que seu sonho era eu,
que eu sonhava mas meu sonho era seu,
que meu sonho por ele era sonhado.

Foi-se a tarde, mas a noite não nasceu.
Num orbe velado, ausente do espaço,
extinto o tempo - cessado o seu passo -
revi o anjo esconso, só ele, e era eu.

Anônimo(mural x de uma sala y do ICEX-UFMG)

1 Comments:

Anonymous Anonymous said...

coisa de mineiro, eh? vai entender...

6:57 AM  

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